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Melhores momentos do episódio 6 - Dan Pedrozzo feat. Cifoescoliose

  • Foto do escritor: Bio Sym
    Bio Sym
  • 6 de out. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 15 de out. de 2021



Bem-vindos aos melhores momentos do episódio 6 - Dan Pedrozzo feat. Cifoescoliose


Primeiramente, poderia nos contar um pouco sobre você, idade, nome..?

Meu nome é Daniel Pedrozzo eu tenho 20 anos e eu uso a internet pra falar um pouco sobre a minha vivência. Por exemplo, na infância eu não tinha ninguém pra me espelhar. Havia a ausência de um super herói na minha infância.


E você pode explicar um pouco mais pra gente, como é sua deficiência?

Eu tenho cifoescoliose congênita, ela é basicamente um “cêzinho” na coluna, ela não impede eu ter alguma condição motora, de paralisia na perna, coisa assim, mas também tem suas restrições, como impacto frequente. Fiz as cirurgias quando crianças, enxerto, gesso, mas não conseguia solucionar. Aliás, quando eu era pequeno eu tinha alergia ao gesso, o gesso meio que comia a minha pele. E como foi a relação familiar em meio a tudo isso?

A minha mãe e meus pais nunca me criaram com super proteção, nunca deixaram isso transparecer na relação, sempre falaram que eu era uma criança normal e que cada um tinha sua condição, mas sem virar um obstáculo, muito saudável a relação. Meus irmãos e eu também brincávamos, e o pessoal de fora sempre se preocupava, achando que eu iria me machucar. Agora o pessoal de casa te conhece, sabe o que você apronta então não tem muito disso. Com o pessoal de outra geração, como vó, sempre teve aquele medo, mas nunca me impediram de nada.


Teve alguma história nessa situação? Então teve um episódio lá na Igreja, eu tinha um personagem homem aranha na cabeça, então qualquer coisinha que desse pra escalar eu tava lá em 5 segundos, mas nesse dia, eu acabei incomodando muito um menino, que chamou a mãe. A mãe dele era brava, aí eu logo me escondi num arbusto, mas eu me escondi tão bem que ninguém me achava e eu lá achando que era tudo brincadeira, o culto tinha acabado e eu lá brincando enquanto todo mundo tava preocupado(risos).


Teve alguma história diferente com a família?

Então eu tava indo pra Lan House um dia, naquela época bem antiga, e tava brincando de esconde-esconde com meu irmão na rua, comecei a procurar ele, chamava e nada dele aparecer. Aí eu resolvi ir pra casa porque eu estava cansado. Uma pessoa comum iria a pé ou voltaria de ônibus, eu com 6 anos, parei um carro na rua e pedi carona para ir para casa, esse moço me levou e me deixou na frente de casa, até hoje não lembro do rosto dele. Minha mãe ficou desesperada quando ouviu a história indignada como isso tinha acontecido.

E como era na escola?

Então, quando era menor, tipo primeira série, não tive episódios ruins diretos, mas você sente que o espaço proporciona outras coisas. Sempre que eu chegava todo mundo olhava, mas eu não entendia, porque eu não tinha isso em mente, essa convivência, de que a deficiência seria um motivo daquilo.


Nas aulas de educação física era como?

Os esportes eram mais limitados, com o pessoal achando que eu me machucaria, mas eu já fui nadador, participei de campeonatos amadores, sempre gostei muito, foi meio que um escape para não me sentir excluído.


Como eram as amizades?

Havia o preconceito, mas quando passavam a me conhecer a visão mudava completamente, porque o pessoal se chocava com as coisas que eu fazia, até hoje na verdade, com o canto, os instrumentos, esportes. Por conta da falta de informação, muitas coisas poderiam ter sido evitadas.


Como você vê essa questão de informação?

Mesmo com atestado médico dizendo que eu poderia participar das coisas, como esporte, as pessoas duvidam que eu poderia fazer certas coisas, tinham medo que eu me machucasse, mesmo com o papel em mãos. E aí muitas vezes eu já me senti incapaz por conta disso, perguntando se isso me fazia menos cidadão, menos humano.


Qual foi uma dessas situações?

Por exemplo, quando eu fui participar de um campeonato de natação eu cheguei um pouquinho atrasado e tive que competir com pessoas de faixa etárias maiores, então as pessoas achavam que eu ia chegar por último. No fim, acabei chegando em segundo lugar e elas ficaram chocadas, falando que eu nadava demais.


Como foi essa história do parque de diversões?

Aconteceu na oitava série, eu já tinha arrumado tudo da documentação, passado no ortopedista, tudo certinho, detalhadinho. Ele tinha me liberado totalmente os brinquedos, mas quando eu entrei naquele lugar parecia um abatedouro, porque os seguranças já começam a passar as informações referentes a mim e me “aconselharam” a ir para a secretaria. Pela falta de informação, não havia minha modalidade nem nenhum médico para me atender. No fim, o rapaz que trabalhava lá não conseguia entender minha situação, confundindo com escoliose, e acabou me restringindo para a maioria dos brinquedos de lá.


Como foi a sua interpretação de quando se viu como pcd?

A minha ficha caiu por volta dos 10, 11 anos, por conta de restrições. As coisas eram diferentes para mim em qualquer situação, como transporte público, quando alguém trombava em mim, com medo de eu ser muito sensível. Até porque, o sentimento de dó pode acabar virando um capacitismo, dessa superproteção acabar me restringindo de viver.




 
 
 

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