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Melhores momentos do episódio 26 - Bianca Bitencourt feat. Autismo (TEA).

  • Foto do escritor: Bio Sym
    Bio Sym
  • 10 de nov. de 2021
  • 5 min de leitura

Bem-vindos aos melhores momentos do episódio 26 - Bianca Bitencourt feat. Autismo (TEA).


Você poderia contar um pouquinho sobre você?

Meu nome é Bianca, eu tenho 21 anos, estou me graduando em moda, bacharelado em estilismo e eu tenho um TikTok que é minha rede principal, onde eu falo sobre moda e sobre o autismo. Eu sou uma pessoa neurodivergente, tenho autismo e TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo), que são duas condições genéticas. O meu autismo é considerado uma mutação genética, porém o TOC é está na minha família há gerações. O TOC é considerado algo que afeta nossa vida de uma maneira ruim, como a ansiedade e a depressão, já o autismo não é considerado nem positivo, nem negativo; ele só é um sistema diferente de como nosso cérebro funciona, e por não influenciar em nada na nossa saúde, ele não pode ser considerado uma doença.


Algumas pessoas acreditam que o autismo é algo como uma maldição, como é isso pra você?

Existem pessoas que acham que o autismo é algo similar ao câncer, que é basicamente a mesma coisa do que nascer com uma doença terminal, o que acaba sendo um conceito totalmente errado. Por esses motivos a comunidade acabou criando a palavra neurodivergência, já que existem estudos que provam que o autismo não é uma doença. Por isso a existência da palavra neurodivergência é muito importante, já que assim as neurodivergências vão ser tratadas de uma forma mais correta.


Por que a gente fala de um espectro e não só do autismo?

Porque o autismo é muito amplo, então a gente usa a palavra espectro, para as pessoas não imaginarem como algo linear, que significaria que existiriam pessoas mais autistas e pessoas menos autistas, e o autismo não funciona como uma linha. Por isso ou você é autista ou você não é autista, e isso não é algo quantitativo. E é sempre bom lembrar que todos os autistas são diferentes, por isso chamamos de espectro.


O que você acha da mudança do símbolo autismo, que mudou do quebra cabeça para o símbolo do infinito em várias cores?

O significado original do símbolo do quebra cabeça, era que crianças autistas não se encaixavam socialmente, por isso eles seriam a peça que não se encaixa no quebra cabeça, tanto que originalmente tinha uma criança chorando no meio do quebra cabeça, sendo que essa design foi feito por um pai de uma criança autista, um neurotípico. E assim a comunidade autista criou o símbolo do infinito arco-íris, já que assim conseguimos mostrar que o autismo não é algo linear e que existem infinitas variações do autismo. Porém legalmente ainda é utilizado o símbolo do quebra cabeça.


Como foi seu diagnóstico?

Foi bem recente na verdade, eu comecei a me identificar com vídeos, e conversando com a minha mãe que é psicopedagoga e que trabalha com educação especial há muito tempo, ela confessou pra mim que ela tenta fazer com que eu recebesse um diagnóstico faz um bom tempo, mas ela nunca tinha achado um especialista. E ela me contou que ela sempre tinha percebido os mesmos traços autistas, que eu tinha acabado de perceber e assim nós procuramos uma neuropsicóloga especialista e fazendo algumas consultas, eu acabei recebendo meu diagnóstico, confirmando as minhas suspeitas. E em meninas é muito mais difícil de diagnosticar, já que somos ensinadas a reprimir muito mais coisas, tanto que chamamos de “masking”, onde fingimos que somos alguém que não somos, e por isso só recebi esse diagnóstico já adulta.

E eu acho que o autodiagnóstico é muito importante principalmente no caso dos autistas, pois os diagnósticos são muito caros hoje em dia. Porém como o autismo não é uma doença, o diagnóstico talvez alivie um pouco a pressão que nós colocamos em nós mesmos, mas quando uma pessoa se autodiagnostica, não tem como eu dizer se ela está certa ou errada, mas sim acreditar que ela se conhece melhor do que qualquer outra pessoa.


Você sente que sua vida mudou depois do diagnóstico?

Acabou não mudando tanto, por que eu nasci assim, porém as pessoas à nossa volta normalmente acham que a gente mudou, e que somente a partir do diagnóstico começamos a ser autistas. Mas o que mudou foi que eu comecei a me permitir a agir de forma diferente da padrão, então eu comecei a me portar da maneira que eu sempre quis mas não considerava certo, e isso foi muito libertador porque era muito mais cansativo agir como os outros.


Como você decidiu estudar moda?

Desde muito pequena, eu sempre fui artista, e com 10 anos eu descobri a profissão de estilista com o filme “Barbie: Moda e Magia”, e dentro do filme tinha um documentário sobre a estilista da Mattel e depois de assistir, eu me apaixonei e se tornou a minha profissão dos sonhos. E para confirmar que era isso que eu queria mesmo, eu fiz um técnico em modelagem, o que só me deu mais certeza de que era isso que eu queria me formar, então comecei meu bacharelado em estilismo.


Como você começou com o seu TikTok?

Comecei durante a pandemia mesmo e foi bem aleatório, porque minha melhor amiga achou que combinaria comigo, então depois de uma semana só assistindo os vídeos, eu comecei a fazer uns vídeos de maquiagem para postar, já que minha faculdade estava parada faz um tempo. No quarto dia, eu fiz e postei um vídeo com meu cosplay de Rapunzel que eu já tinha em casa, e meu cabelo tinha um metro e vinte, então esse vídeo viralizou e tudo começou nesse momento.


Você pode falar um pouco sobre a acessibilidade para os autistas, e se esse é um tema coerente?

Com certeza é um tema coerente, e ele se encaixa nas pequenas coisas que nos deixam mais confortáveis. A acessibilidade para uma pessoa autista é muito mais ligada ao respeito e aos limites de cada pessoa autista.


O autismo pode ser considerado uma deficiência?

Em alguns casos o autismo pode ser considerado uma deficiência, por se tornar um incapacitante, e a partir do momento em que você não consegue usar alguns dos recursos dos cinco sentidos, você pode acabar se encaixando na definição de deficiente socialmente.


E você pode falar sobre o cordão de girassóis que já apareceu no seu TikTok e qual é a importância dele?

Esse cordão significa que a pessoa tem uma deficiência oculta, e algumas vezes ele é muito importante para que as pessoas entendam, que podemos precisar de um pouco mais de acomodação. Sendo que ele também ajuda muito as pessoas que têm dificuldade de verbalizar a sua condição. Porém infelizmente ainda tem várias pessoas que não conhecem esse símbolo.


E como é conviver com o TOC? Quando você descobriu que tinha?

O autismo tem algumas características do TOC e por isso é difícil diferenciá-los algumas vezes. O meu TOC ainda é subclínico, o que significa que meu TOC não atrapalha minha vida e não precisa ser necessariamente tratado. E eu recebi os dois diagnósticos juntos, mas desde criança também era possível perceber que eu tinha TOC.


 
 
 

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