Melhores momentos do episódio 21 - Alexsander Whitaker feat. Vida como paratleta
- Bio Sym
- 29 de out. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de nov. de 2021

Bem-vindos aos melhores momentos do episódio 21 - Alexsander Whitaker feat. Vida como paratleta
Primeiramente nós gostaríamos que você falasse seu nome, sua idade e um pouco sobre a sua condição. Eu sou o Alexsander Whitaker, tenho 51 anos e eu me tornei cadeirante com 23 anos. Um dia eu fui assaltado e levei 2 tiros, 1 perfurou a minha medula espinhal e assim perdi o movimento das minhas pernas.
Como foi essa mudança? Vi que antes você era professor de judô. No começo foi muito difícil, pois eu usava muito o corpo, fazia muito esporte, exercício, fazia nutrição querendo trabalhar com esporte, como você comentou, eu era professor de judô. Então da noite pro dia eu tive que ficar dependente dos meus pais, tanto financeiramente quanto o dia a dia, eu fiquei 3 meses internados no começo por conta de uma infecção. Entretanto, o tempo passa, apoio de família e amigos e as coisas vão melhorando.
Como você entrou no mundo do halterofilismo? Então, como judoca eu já fazia musculação para agregar nos meus treinos e todos os meus amigos também praticavam esporte. Depois do tiro, o fisioterapeuta me contou sobre competições para atletas com deficiência, mas no começo foi pela natação, então tentei uma competição de levantamento de peso e fiquei em segundo.
E seus treinos? Como são?
Eu faço todo dia, claro que alternando os músculos usados, desde sempre fiz muito exercício.
Estamos quase na época das paraolimpíadas, como é que é isso tudo para você, já participou, como é?
Eu já fui para 4 como paratleta, sendo minha melhor classificação em quarto lugar em Atenas. Acabei não indo ao Rio nem ao Japão por conta de uma lesão muito grave no meu cotovelo. Eu era nutricionista, mas se eu fosse, não poderia competir, porém entendo o porquê disso tudo.
Como foi a sensação de ir para as olimpíadas?
A minha primeira foi a da Austrália, e para qualquer pessoa que goste de esporte, ir para uma olimpíada é uma sensação única. Quando teve a de Atenas, eu fiquei super animado, porque lá é o berço, tanto que foi a que eu mais treinei e mais cheguei perto de ganhar. A única medalha que falta para mim é de uma olimpíada, porque eu sou bicampeão mundial, campeão para pan americano e sou vinte anos consecutivos campeão brasileiro.
Falando nisso, quanto foi seu máximo?
O recorde pan americano foi meu por muito tempo com 192,5Kg e eu pesando 65 kg.
E a bala ainda continua no seu corpo?
Sim, principalmente por conta da infecção da época.
Como é a acessibilidade? Principalmente pelo fato de você ir muito para clube e academia.
Havia muita acessibilidade, pois os lugares que eu vou sempre foram tranquilos, ainda mais que como eu sou atleta acabei me mexendo melhor nela, e o fato do centro esportivo paralímpico ter lugares específicos para ir. Entretanto, rua, transporte público entre outros, acaba realmente sendo muito complicado, mesmo com questões de acessibilidade.
Quando você sofreu o acidente, você teve que tirar novamente a carta? Sim, mas no começo foi bem complicado porque eu já estava muito acostumado, então tive que tirar vários documentos e provas novas.
Já quebraram alguma cadeira sua em viagens?
Já, menos mal que foram todas aqui no Brasil, mas já cheguei no lugar e a cadeira tava sem roda.
Desses todos os lugares que você foi, qual mais gostou?
A Austrália, lá é tudo extremamente acessível, porque lá tudo foi muito bem planejado, parecido com a acessibilidade do Canadá, Toronto principalmente. Já a Grécia, eu amei o lugar, mas lá por ter muitas questões históricas é bem mais complicada a locomoção lá.
Como você vê essa questão olimpíadas e paraolimpíadas?
É complicado você ouvir sobre paraolimpíadas, de uns anos pra cá tem melhoradas, mas muitas emissoras não se interessam em mostrar. A coisa mais difícil que tem é arrumar patrocínio, mesmo eu com todas as premiações que tenho, é bem complicado. O patrocinador quer um retorno de mídia, como as paraolimpíadas possuem menos visibilidade, fica complicado o patrocínio.
Alguma história te marcou enquanto atleta?
Eu tive sim, quando eu fui campeão mundial na Nova Zelândia, eu me recordo muito. Quando eu estava praticamente na final, tinha um chinês lá, que eu já tinha visto levantar 200Kg. No dia dessa final, todo mundo estava torcendo pra mim, gritando meu nome, então quando eu fui fazer meu levantamento, meu técnico colocou 180Kg, que era o quanto eu levantava normalmente, meu competidor levantava 200Kg, a gente percebeu que pelo menos o segundo lugar eu levava. Entretanto, quando eu levantei o estádio estava gritando, agitava, e foi aí que meu técnico me disse que tinha colocado 192,5Kg e falou que eu havia quebrado o recorde pan americano, então eu estava feliz mesmo que perdesse. Só que na hora que o chinês foi fazer o levantamento dele, ele não conseguiu, e aí eu ganhei o primeiro lugar.



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