Melhores momentos do episódio 15 - Matheus Wilke feat. filho perfeito e eugenia
- Bio Sym
- 15 de out. de 2021
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Bem-vindos aos melhores momentos do episódio 15 - Matheus Wilke feat. filho perfeito e eugenia
Oii Matheus, bom dia, primeiramente queria que você nos contasse um pouco sobre você.
Eu sou o Matheus Wilke e sou médico geneticista em porto alegre, rio grande do Sul. Fiz minha residência no hospital de clínicas de Porto Alegre, tenho mestrado na URBS e estou atualmente no doutorado. Pelo Instagram eu tenho um perfil chamado “desenhando a genética” que eu tento explicar síndromes genéticas.
Sobre o que vai ser seu doutorado?
Meu projeto de pesquisa é sobre a doença de Gaucher, esses pacientes possuem maior possibilidade de ter doença de Parkinson e estamos tentando entender o porquê disso, além de analisar outras pistas e situações envolvendo isso.
E por que decidiu seguir esse caminho da genética
Foi meio na tentativa e erro, a gente tinha competitividade em fazer parte de grupos de pesquisa, publicar artigos, e quando fui procurar acabei parando na medicina genética, que é o ramo que lidamos com qualquer tipo de pessoa, e foge daquele medicina de emergência.
Indo para nosso tema de eugenia, o que você acha dessa ideia de editar o código genético para eliminar síndromes genéticas?
Tem um lado que é opinião, outro que é baseado em cultura, um lado humanitário, é complicado, mas acho que podemos discutir essas variações.
Poderíamos talvez começar com alguma história do meio?
Queria começar contando uma história que aconteceu no final da minha residência, na medicina fetal e foi uma paciente particular, com bastante condições que havia feito fertilização em vitro e tudo mais. Os exames mostraram a possibilidade de haver alguma síndrome cromossômica, e a mãe começou a demonstrar sinais de braveza e me disse uma frase que me marcou muito: “Ué, me prometeram um filho perfeito”. Aí eu achei estranho e fiquei pensando sobre a nossa ideia de perfeição e o que colocamos dessa ideia nas gerações futuras.
E em que pé está essa discussão na comunidade médica?
Então, em alguns casos essa escolha de embriões é passada adiante, como na questão de doenças relacionadas aos cromossomos sexuais, entretanto em outros casos estudados ao redor do mundo como a possibilidade do indivíduo ter câncer por volta dos 40 anos está em pé de balanço ético.
Falando de fertilização, você acha que escolher um parceiro baseado em certos aspectos, pode ser considerado eugenia?
Acho que não, até porque aqui no nosso contexto não acontece como naquelas séries não tem aquele catálogo. Além de que a maioria dos casais acabam vindo com histórias muito sofridas, de não quererem repetir as situações passadas, como de certos abortos e mutações que surgiram na gravidez que acabaram por não dando certo.
Aliás, a gente fala bastante desse mundo das séries, como está essa questão da jurisdição no conceito de “barriga de aluguel”?
Aqui no Brasil não pode barriga de aluguel, se pode uma pessoa doar o óvulo para um casal.
Você como geneticista encontra mais pais com filhos que tem síndrome, que a mãe sofreu muitos abortos espontâneos…?
Eu acho que na área médica, o grande público é investigação de síndrome genéticas, a gente entende que está aumentando a suspeita de outros médicos com relação a síndromes e trazendo esses casos para nós, além dos oncologistas que levam casos de câncer, principalmente em idade jovem.
Qual o estalo que você acha que precisamos para mudar essas histórias? ou o que falta do entendimento da população em síndrome?
A gente precisa de uma educação médica melhor, pois eu sei sobre essa questão já que estava na residência, mas sei que outros colegas meus só tiveram a genética básica. Ainda por cima, a questão do preconceito de achar genética é algo difícil, e acaba não indo atrás. Sobre os nomes, acho realmente complicado, porque os pais olham e ficam perdidos quando não há um nome exato para o diagnóstico, mas também há necessidade de explicar todo o contexto da doença ou da síndrome.



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